O que muda quando quem compra é a loja
Quando a loja compra o seu carro, ela assume a papelada e as contas dele: cuida da transferência, quita IPVA, licenciamento, multas e o financiamento, se houver, e faz a comunicação de venda ao Detran-PR com uma procuração sua. As contas saem do valor do carro, e o pagamento a você sai em até oito dias, contados do recebimento dos valores da operação.
É assim na Motors Store, e este guia passa item por item: o que a loja faz, o que sai do valor, o que continua sendo seu, e por que o pagamento tem prazo.
A transferência fica com a loja
A transferência é o que tira o carro do seu nome. Enquanto ela não acontece, o carro continua ligado a você no registro — e é por isso que ela importa mais para quem vende do que parece.
O Código de Trânsito prevê que, se o comprador não fizer a transferência no prazo, o antigo dono que não comunicou a venda responde junto pelas penalidades impostas ao carro, e pelas reincidências, até a data da comunicação. Numa venda para a loja, as duas pontas ficam com ela: a loja cuida da transferência e faz a comunicação de venda.
A transferência para o novo dono passa também por uma vistoria de identificação do veículo, que é outra coisa que não a perícia cautelar: a diferença entre as duas está em "Laudo cautelar x vistoria de transferência". O que você assina para a venda, e o que cada documento faz, está em "Documentos para vender carro no Paraná, passo a passo".
IPVA, licenciamento e multas: a loja quita, e o valor sai do total
Os débitos do carro — IPVA, licenciamento e multas — são quitados pela loja, e o valor deles sai do total. Vale dizer com todas as letras: quem paga, no fim, é você, porque as contas são do carro e saem do valor dele. O que a loja assume é o trabalho de levantar e pagar cada conta.
Não é burocracia à toa. O Código de Trânsito exige, para expedir o documento do novo dono, a quitação dos débitos de tributos, encargos e multas vinculados ao veículo — uma exigência que o Supremo Tribunal Federal já julgou constitucional. Carro com débito em aberto não ganha documento em nome de outra pessoa.
Se quiser chegar sabendo o tamanho da conta, o extrato do veículo, no site do Detran-PR, é gratuito e mostra IPVA, licenciamento, multas e restrições. E uma pergunta vale ser feita antes de assinar: como fica uma multa de antes da venda que só chegar depois. Entre a infração e a notificação passa algum tempo, e o combinado sobre esse caso precisa estar claro.
Financiamento em aberto: a loja quita o banco
Se o carro tem financiamento em aberto, a loja faz a quitação junto ao banco, e o saldo de quitação sai do valor do carro. O que sobra é a sua entrada, se você estiver trocando, ou o seu pagamento, se estiver vendendo. A mecânica inteira — saldo devedor, declaração de quitação e baixa do gravame — está em "Carro financiado: dá para vender ou trocar?"; e, se a ideia é trocar, o jeito de comparar propostas está em "Carro na troca: como funciona e o que muda no preço".
A comunicação de venda, feita com procuração
A comunicação de venda é o registro formal, no órgão de trânsito, de que o carro foi vendido, com a data. Para o Detran-PR, é obrigação do vendedor: sem ela, ele continua respondendo pelas penalidades impostas ao carro até a data da comunicação ou da transferência.
Na venda para a Motors Store, a comunicação é feita pela loja, com uma procuração sua. O Detran-PR aceita que o serviço seja feito por procurador, com procuração pública, lavrada em cartório, ou particular, com a firma de quem outorga reconhecida por autenticidade ou como verdadeira. Se o documento não disser o prazo, o Detran-PR considera a procuração válida por três anos.
Procuração é documento sério, e vale ler qualquer uma antes de assinar: o que ela autoriza, a quem e por quanto tempo. Depois do negócio, peça o comprovante da comunicação de venda — é o papel que mostra a partir de quando o carro deixou de ser seu.
Quando você recebe, e por que existe um prazo
Os pagamentos da loja ao vendedor saem em até oito dias, contados do recebimento dos valores da operação.
O prazo existe porque o dinheiro sai depois que o dinheiro da operação entra e compensa, e depois que a papelada fecha. Quando o comprador financia, quem paga é o banco, não ele, e o repasse leva alguns dias úteis. Nesse intervalo, a loja confere a quitação do financiamento, quando existe, a baixa dos débitos, a procuração e a transferência, e registra a operação na contabilidade antes de pagar. Pagar antes de o dinheiro compensar é justamente a brecha que golpe de venda de carro explora — e o prazo protege os dois lados.
O que chega a você, nesse prazo, é a conta inteira fechada: o valor da proposta, menos os débitos que a loja quitou e, se havia financiamento, menos o saldo que ela pagou ao banco. No fechamento, pergunte qual é a data que conta como recebimento no seu caso, e peça o prazo por escrito.
O que continua sendo seu
A loja assume a papelada e as contas; o que ela não tem como assumir é o que só você sabe do carro. Uma batida antiga, um barulho que vai e volta, uma revisão atrasada: conte na avaliação. Dito antes, vira parte da conta; descoberto depois, vira desconfiança.
Antes da compra, o carro passa por uma perícia cautelar independente, que olha identificação, estrutura e histórico. Carro reprovado a loja não compra, e apontamento pesa no valor — o que fazer quando o carro reprova está em "Meu carro reprovou no laudo cautelar". A régua é estreita, e é bom saber antes: de cada dez carros avaliados, três entram na vitrine. É o mesmo exame que acompanha o carro depois, na vitrine: o laudo fica com o vendedor da loja e sai a pedido de quem for comprar. Mas nenhum exame reconstitui a história inteira de um carro, e o que ele alcança está em "Laudo cautelar: o que verifica e o que não verifica".
Entregue também o que acompanha o carro: as chaves, o manual e as notas de revisão. E, antes de entregar a chave, desfaça o que ainda liga o carro a você: apague do multimídia os telefones pareados e os endereços salvos; tire a etiqueta de pedágio ou desvincule-a da sua conta; avise a seguradora; e confira porta-luvas, porta-malas e o estepe atrás de documento e objeto esquecido. Guarde cópia de tudo o que assinar.
Numa venda particular, cada item deste guia seria seu — a comparação está em "Vender sozinho ou para a loja: o que muda além do preço". E, se você prefere que a loja venda o carro por você em vez de comprá-lo, o caminho é outro: "Consignação de carro: como funciona".
O que fazer agora
Antes de vender, confira IPVA, licenciamento e multas; se houver financiamento, peça ao banco o saldo de quitação; e separe documento, chaves, manual e notas de revisão. Na proposta, peça as contas que saem do valor, uma por uma. Antes de assinar a procuração, leia o que ela autoriza. Depois, peça o comprovante da comunicação de venda e guarde a declaração de quitação, se houver. O que a avaliação considera antes de tudo isso está em "Quanto vale meu carro usado: como a loja chega no número".