A consignação, do começo ao fim
Na consignação, a loja vende o carro por você: o valor que você recebe é combinado antes, em contrato, e sai quando o carro vende, menos os custos de preparação. É o oposto da venda direta, em que a loja compra na hora e assume o tempo de venda — na consignação, quem espera é você.
Na Motors Store, a consignação tem dois formatos, presencial e digital, e o consultor explica cada um no contrato. O prazo é definido na hora do contrato. A loja anuncia o carro em todos os canais de mídia que tem e trabalha o carro para a venda. Quando ele vende, você recebe o valor acordado antes, em contrato, menos os custos de preparação — perícia, polimento, higienização e outros que forem necessários, se for o caso —, por PIX.
O valor combinado, e o que sai dele
O centro da consignação é um número escrito antes: o valor que você vai receber quando o carro vender. Ele fica no contrato, e é dele que saem os custos de preparação, quando o carro precisar deles.
Duas perguntas deixam esse número claro antes da assinatura. Quais itens de preparação o seu carro deve precisar, e quanto costuma custar cada um? E como você fica sabendo de um custo antes de ele ser feito?
Para o valor combinado ser realista, ajuda entender como o mercado olha o seu carro: o ponto de partida na FIPE, e o que a preparação, a quilometragem e o tempo de venda fazem com a média. É o assunto de "Quanto vale meu carro usado: como a loja chega no número". E a tabela, sozinha, não é o preço pelo qual o carro vende, como explica "Tabela FIPE não é preço de venda: o que ela diz".
Três referências ajudam a chegar nesse número. O valor da venda direta, que mostra quanto você receberia hoje, sem esperar. Os anúncios de carros iguais ao seu, lembrando que anúncio mostra o preço que alguém pediu, e não o que alguém pagou. E o seu prazo: quanto tempo você consegue esperar sem que a espera vire problema.
Um valor combinado acima do que o mercado paga não faz o carro valer mais. Faz ele ficar mais tempo exposto, enquanto o prazo do contrato corre e o carro continua perdendo valor mês a mês. O número bom é o que vende dentro do prazo.
Enquanto o carro não vende
Como a loja não compra o carro, ele continua sendo seu até a venda — e algumas coisas continuam correndo no seu nome. IPVA e licenciamento que vencerem no meio do caminho, o seguro, uma multa tomada durante um test-drive: vale saber, antes de assinar, como o contrato trata cada uma.
Enquanto isso, a loja faz a parte dela: anuncia e trabalha o carro. Trabalhar o carro é o que a lista de custos descreve. A perícia dá a quem vai comprar segurança sobre identificação, estrutura e histórico; o polimento devolve à pintura o que a foto e a visita cobram; a higienização tira do interior o uso de anos; e entra o que mais o carro pedir. É por isso que esses custos existem: carro preparado vende mais depressa do que carro do jeito que chegou.
Quando o carro vende: o prazo e o PIX
O pagamento sai por PIX, em até oito dias, contados do recebimento dos valores da operação.
O prazo existe porque o dinheiro sai depois que o dinheiro da operação entra e compensa, e depois que a papelada fecha. Quando o comprador financia, quem paga é o banco, não ele, e o repasse leva alguns dias úteis. Nesse intervalo, a loja confere a quitação do financiamento, quando existe, a baixa dos débitos, a procuração e a transferência, e registra a operação na contabilidade antes de pagar. Pagar antes de o dinheiro compensar é justamente a brecha que golpe de venda de carro explora — e o prazo protege os dois lados.
Consignação, venda direta ou anúncio particular
Os três caminhos servem, cada um para um tipo de dono.
A venda direta serve a quem precisa do dinheiro, ou da entrada, agora. A loja compra na hora, pelo valor da avaliação; a preparação e o tempo de venda entram na conta dela, e o risco de o carro demorar a sair passa a ser da loja. O que ela assume junto — transferência, débitos, financiamento e comunicação de venda — está em "O que a loja assume quando compra o seu carro". Se o plano é trocar de carro, a lógica da troca está em "Carro na troca: como funciona e o que muda no preço".
A consignação serve a quem pode esperar e prefere não fazer o trabalho de vender. Quem anuncia e prepara o carro é a loja; você espera o comprador, a preparação sai do valor combinado, e o dinheiro chega quando o carro vende. Quem escolhe esse caminho costuma fazer isso para tentar um valor mais perto do que o carro vende na vitrine, sem fazer a venda sozinho. E o carro fica ao alcance de quem compra financiado: a loja faz a simulação para o comprador e encaminha a análise aos bancos parceiros.
O anúncio particular serve a quem tem tempo, disposição e cuidado com segurança. Pode render o maior valor pelo carro, e cobra tudo o que os outros dois caminhos fazem por você: preparar, fotografar, anunciar, atender, receber desconhecidos para ver e dirigir o carro, negociar, confirmar que o dinheiro compensou antes de entregar a chave, e cuidar da documentação e da comunicação de venda. A comparação completa está em "Vender sozinho ou para a loja: o que muda além do preço", e as opções da cidade estão em "Onde vender carro em Curitiba e o que cada opção pede".
Resumindo sem rodeio: se você precisa do dinheiro ou da entrada agora, venda direta; se pode esperar e não quer fazer a venda, consignação; se pode esperar e quer fazer tudo, anúncio.
O que perguntar antes de assinar
Qual formato serve para o seu caso, presencial ou digital, e o que muda entre eles. Qual é o prazo, e o que acontece se ele terminar sem venda. Qual é o valor combinado, e quais custos de preparação podem sair dele. Quem responde pelo carro enquanto ele está à venda — guarda, seguro e test-drive com interessados. Se você pode vender o carro por conta própria durante o contrato. E como você fica sabendo das propostas que aparecem.
O formato tem até nome no Código Civil, contrato estimatório: quem entrega o bem autoriza o outro a vendê-lo e recebe o preço ajustado, ou o bem de volta, no prazo combinado. Mas o que vale para você é o que está escrito no seu contrato. Dúvida sobre o que uma cláusula quer dizer no seu caso é conversa para o Procon ou para um advogado, não para quem está do outro lado da mesa.
O que fazer agora
Decida primeiro o que pesa mais para você, tempo ou valor. Se pode esperar, leia o contrato de consignação com as perguntas acima e peça por escrito o valor combinado e os custos de preparação previstos. Se precisa do dinheiro ou da entrada agora, a venda direta resolve. Nos dois casos, a avaliação do carro é um bom começo: com o número da venda direta na mão, dá para comparar os três caminhos com algo concreto.