O que muda entre o preço de loja e o de particular
O preço de um carro de loja paga, além do carro, o que vem com ele: a seleção e a perícia cautelar antes da vitrine, a preparação e a garantia da loja, com a papelada acompanhada por ela. O de particular costuma ser menor porque não traz nada disso — o carro vem como está, e o que a loja faria antes fica por sua conta, de trabalho e de dinheiro.
Nenhum dos dois é o caminho errado. O que importa é saber o que você está pagando e o que vai ter de fazer, e pagar, se escolher o caminho sem essas coisas.
O que vem com um carro da Motors Store
A seleção vem primeiro. De cada dez carros que a loja avalia, três entram; os outros sete não viram estoque.
Todo veículo passa por perícia cautelar independente antes da vitrine, que olha identificação, estrutura e histórico. O laudo fica com o vendedor e sai a pedido, e o que esse exame alcança, e o que não alcança, está em "Laudo cautelar: o que verifica e o que não verifica".
Todo carro que entra recebe troca de óleo e filtros. E o carro que levanta suspeita na avaliação vai para uma perícia mecânica, sob demanda, antes de entrar.
A garantia da loja é de três meses ou 5.000 quilômetros, o que vier primeiro, contados da entrega. Cobre falha interna de motor, câmbio e diferencial — incluído o turbo original de fábrica —, sem carência, sem franquia e com a mão de obra inclusa. O que ela cobre e o que fica de fora está em "Garantia de carro usado em loja: o que está coberto".
A documentação e a vistoria de transferência ficam com a loja, e os custos e prazos são informados na negociação. No financiamento, a loja faz a simulação e encaminha a análise aos bancos parceiros; taxa e condição saem da análise de cada banco, e ninguém promete nada antes da resposta.
E a loja aceita o seu carro na troca, depois da avaliação, inclusive com financiamento em aberto: faz a quitação junto ao banco, e o saldo vira entrada. Como isso funciona está em "Carro na troca: como funciona e o que muda no preço" e em "Carro financiado: dá para vender ou trocar".
Por que isso aparece no preço
Cada item custa, e o preço de vitrine carrega esses custos junto com o carro: a perícia, a preparação, a garantia e o tempo em que o carro fica parado até vender.
A pergunta útil, então, não é se o preço de loja é mais alto — costuma ser. É se o que vem junto vale, para você, o que custaria fazer por conta própria. Para entender por que o mesmo carro aparece com preços diferentes no anúncio, na vitrine e na avaliação, a explicação está em "Tabela FIPE não é preço de venda: o que ela diz".
O que o particular oferece de verdade
Preço, antes de tudo. Sem estrutura, preparação e garantia para carregar, o particular pode pedir menos e ainda sair satisfeito com o negócio.
Negociação direta com quem usou o carro. Dá para perguntar como ele rodou, onde foi feita a revisão e por que está sendo vendido, e, com sorte, ver as notas.
E flexibilidade de horário, de condição e de acordo, que numa conversa entre duas pessoas costuma ser maior.
Tem carro muito bom à venda por particular. A diferença é que, nesse caminho, quem confere é você.
O que fica por sua conta na compra de particular
Conferir o carro. A perícia cautelar, que na loja vem antes da vitrine, você contrata e paga; onde fazer está em "Perícia cautelar em Curitiba: onde fazer e quanto custa". Se o carro tiver conjunto caro, uma avaliação mecânica por oficina de confiança. E uma rodagem de verdade, começando com o motor frio, com o roteiro de "Test-drive de carro usado: o que observar, na ordem".
Conferir o documento. O extrato do veículo, no site do Detran-PR, é gratuito, sai na hora pelo Renavam e mostra IPVA, licenciamento e multas pendentes, restrição por financiamento e registro de furto ou roubo. Carro com financiamento em aberto tem gravame registrado, e quem pede o cancelamento é a instituição financeira: combine com o vendedor como e quando isso acontece antes de pagar. O histórico de leilão pede consulta própria, descrita em "Como saber se um carro passou por leilão".
Pagar com segurança. Negocie direto com o dono que está no documento e pague na conta dele. O golpe do falso intermediário vive de pagamento feito na conta de outra pessoa, e o mecanismo está em "Vender sozinho ou para a loja: o que muda além do preço".
Fazer a papelada. Com o documento de transferência assinado, a transferência é sua: vistoria, taxa e registro no Detran-PR. O Código de Trânsito dá trinta dias, e o Detran-PR informa sessenta no Paraná; registrar fora do prazo é infração, com multa. O que o vendedor precisa fazer do lado dele está em "Documentos para vender carro no Paraná, passo a passo".
E saber que a garantia é outra conversa. Na compra em loja, a garantia da casa vem além da garantia prevista em lei. Na compra de particular não há garantia de loja, e o regime legal é outro. O que a lei garante no seu caso é pergunta para o Procon ou para um advogado, não para quem está vendendo o carro.
O que perguntar, de um lado e do outro
Ao particular: há quanto tempo o carro é dele e por que está vendendo; onde fez as revisões e se tem as notas; se o carro já bateu, se tem multa, se está financiado; se tem manual e chave reserva; e se aceita perícia cautelar e uma rodagem longa, com o motor frio. Resposta evasiva à última pergunta já é uma resposta.
À loja: o laudo da perícia cautelar, que fica com o vendedor e sai a pedido; o termo de garantia, para ler antes de assinar; os custos e prazos da transferência; o que foi feito no carro antes da vitrine; e, se for financiar, a simulação, lembrando que taxa e condição só existem depois da análise do banco. Loja que não sabe responder a alguma dessas perguntas também está respondendo.
Nos dois casos, a regra é a mesma: tudo o que for combinado, por escrito, e nada assinado antes da rodagem e do laudo.
Como decidir
O particular pode ser o melhor negócio quando o preço dele, somado ao que você vai pagar e fazer — perícia, avaliação mecânica, papelada e o risco de ficar sem garantia de loja depois —, ainda fica bem menor que o da loja, e quando você tem tempo e disposição para conferir tudo.
A loja é o caminho quando você quer o carro conferido, com garantia e com a papelada acompanhada, e prefere pagar por isso a fazer sozinho. Em qualquer dos dois, peça o documento, peça o laudo e faça a rodagem antes de assinar.
Faça a conta com os seus números, e não com a impressão. Ao preço do particular, some a perícia cautelar, a avaliação mecânica, o cartório, a vistoria e a taxa de transferência e o reparo que a perícia ou a rodagem apontarem. Compare o total com o preço da loja, lembrando que, do lado dela, vem a garantia de três meses ou 5.000 quilômetros, o que vier primeiro, para falha interna de motor, câmbio e diferencial, e do lado do particular não há garantia de loja. A diferença que sobrar é o preço do trabalho e do risco que você decidiu assumir.
O que fazer agora
Antes de comprar, de loja ou de particular: veja o documento e o extrato do carro no Detran-PR; peça o laudo da perícia cautelar, ou contrate uma, se o vendedor for particular; faça a rodagem com o motor frio; e, na loja, peça o termo de garantia e leia antes de assinar. Os carros da Motors Store ficam no showroom do Bacacheri, em Curitiba, e a entrega alcança todo o Paraná e o litoral catarinense até Balneário Camboriú.