O que a garantia de loja cobre, e o que ela não cobre
A garantia que uma loja dá num carro usado cobre falha de componente — peça que quebrou antes da hora — e não cobre peça que gastou com o uso. Essa linha decide quase toda discussão de balcão, e quem entende ela antes de assinar não descobre depois.
Na Motors Store, a garantia é de três meses ou 5.000 quilômetros, o que vier primeiro, contados da entrega, e cobre falha interna de motor, câmbio e diferencial. Sem carência, sem franquia, com a mão de obra inclusa. O conserto é feito em oficina parceira credenciada indicada pela loja, e a regra que vem antes de todas as outras é avisar a gente antes de levar o carro a qualquer lugar.
Três coisas diferentes chamadas de garantia
Quem compra usado ouve a palavra "garantia" em três sentidos, e confundi-los é o que faz uma conversa boa virar briga.
A primeira é a garantia prevista em lei. Ela existe na compra feita em loja, é direito do consumidor e não depende de o vendedor querer. Este guia não vai explicar o alcance dela, e por um motivo honesto: quem descreve direito do comprador é quem responde por ele — Procon ou advogado —, não a loja que está do outro lado da mesa. Se a sua dúvida é sobre os seus direitos, é para lá que a pergunta deve ir.
A segunda é a garantia contratual da loja: o que a casa oferece por escrito, em acréscimo, com prazo e escopo que ela mesma define. É dela que este guia trata, porque é a que a loja pode descrever sem falar pelo que não é seu.
A terceira é o plano estendido, vendido à parte por uma administradora, opcional, com regras próprias de cobertura e de acionamento. Ele não substitui as outras duas, e tem uma lista de exclusões que surpreende quem não leu — o assunto tem guia próprio, "Garantia estendida de carro usado vale a pena?".
As três convivem. Nenhuma anula a outra, e nenhuma loja séria vai pedir que você abra mão de qualquer uma delas para fechar negócio.
O que está coberto na garantia da Motors Store
Falha interna de motor, de câmbio e de diferencial, dentro de três meses ou 5.000 quilômetros, o que vier primeiro, contados da entrega. O turbocompressor entra como parte do motor quando é o original de fábrica.
Sem carência quer dizer que vale desde o primeiro dia, sem período de espera. Sem franquia quer dizer que você não paga parte do conserto nem taxa para acionar. Mão de obra inclusa quer dizer que a hora da oficina entra junto com a peça — e vale reparar nisso, porque em muita garantia de mercado a peça é coberta e a mão de obra não, o que pode ser metade da conta.
O conserto acontece em oficina parceira credenciada, escolhida por especialidade. São mais de quinze, e quem indica qual atende cada caso é a loja. Não é burocracia: é a diferença entre um serviço por quem responde depois e um orçamento de quem nunca mais vai ver o carro.
Na venda ao consumidor não pedimos assinatura de termo de isenção — nenhum papel que reduza aquilo a que você tem direito.
O que não está, e por quê
Desgaste. Pastilha, disco, pneu, palheta e bateria existem para gastar, e num carro usado elas já vêm com história. Trocar item de desgaste é manutenção, não conserto.
Manutenção. Óleo, filtro, vela e correia dentro do intervalo são serviço do dono do carro. Vale a ressalva que a peça "Correia dentada banhada em óleo: por que ela falha" detalha: em alguns motores modernos, o item de manutenção mal feito destrói o item coberto, e é por isso que a nota fiscal da revisão vale tanto.
Embreagem em uso normal. Desgaste de embreagem não é falha interna do câmbio, e essa é a exclusão que mais gera conversa em carro de dupla embreagem — o teste que evita o susto está em "Câmbio de dupla embreagem em carro usado: o que checar".
Bombas, fluidos e óleos em geral.
Peça fora de especificação e remap — um turbo que não é o original de fábrica entra aqui. Alterar característica do veículo muda o esforço que o conjunto recebe, e ninguém pode responder por uma peça que não escolheu.
Evento externo — colisão, enchente, granizo, vandalismo. Isso é assunto de seguro, não de garantia, e nenhuma garantia de loja no país cobre.
E os custos que não são do conserto em si: transporte, guincho, alimentação e hospedagem não entram. É a dúvida clássica de quem quebra longe, e a resposta precisa vir antes, não depois.
A regra que decide tudo: avise antes de mexer
Se algo acontecer dentro do prazo, fale com a loja antes de levar o carro a qualquer oficina.
Não é formalidade. Reparo feito por conta própria tira da loja a chance de ver o defeito como ele apareceu, e um motor aberto por um terceiro é um motor cujo estado anterior ninguém consegue mais reconstituir. Em toda garantia de mercado, essa é a causa número um de recusa — e é a mais evitável de todas.
O caminho é simples: avise, descreva o que aconteceu, e leve o carro à oficina que a loja indicar. Guarde nota, contrato, laudo e ordem de serviço, e prefira o que estiver por escrito.
O que perguntar antes de assinar
Peça o termo de garantia e leia antes da assinatura, não depois. Prazo, escopo e exclusões precisam estar legíveis num papel, e não numa frase do tipo "qualquer coisa a gente resolve".
Pergunte quem faz o conserto e onde. Oficina indicada pela loja é o normal; loja que não sabe dizer qual é a oficina não pensou no depois.
Pergunte se a mão de obra está inclusa, com essa palavra. É o ponto em que garantias parecidas deixam de ser parecidas.
Pergunte o que fazer quando acontecer: para quem ligar, em quanto tempo, e o que não fazer enquanto isso.
E peça o exame que a loja fez antes de vender. Aqui, todo veículo passa por perícia cautelar independente antes de entrar na vitrine, e o laudo fica com o vendedor, à disposição de quem pedir — o que esse exame alcança e o que ele não alcança está em "Laudo cautelar: o que verifica e o que não verifica".
Por que a garantia vem depois da seleção, e não no lugar dela
Garantia é o que a loja faz quando algo dá errado. A seleção é o que ela faz para que não dê.
De cada dez carros que avaliamos, três entram. Os sete que ficam de fora não são recusados por gosto: carro que exige abrir motor ou câmbio para se saber o estado real não entra, porque comprar conjunto fechado é aposta — e a conta dessa aposta, quando dá errado, chega para quem comprou o carro.
Todo veículo que entra recebe troca de óleo e filtros. E o que levanta suspeita na avaliação vai para uma das oficinas parceiras antes de entrar, numa checagem sob demanda, que não é etapa de todo carro: ela existe para o carro que pediu por ela.
Nada disso elimina o risco, e dizer o contrário seria vender uma frase. O defeito que aparece depois da compra sem ter dado sinal antes tem nome e tem fronteira, e o assunto está em "Vício oculto em carro usado: o que é e o que não é".
O que fazer agora
Antes de assinar qualquer compra em loja: peça o termo de garantia e leia o escopo; confirme se a mão de obra está inclusa; pergunte qual é a oficina e qual é o procedimento; peça o laudo do exame que a loja fez. Depois de comprar, guarde tudo por escrito e, se algo acontecer, avise a loja antes de levar o carro a qualquer lugar.
O que a Motors Store assume depois da entrega — prazo, o que entra, o que não entra e a ordem de acionamento — está escrito na página de garantia.