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Garantia estendida de carro usado vale a pena?

O que o plano cobre, o que ele não cobre e as duas obrigações que reprovam acionamento. Leia antes de assinar — inclusive o que fica de fora.

A resposta curta, e o que ela depende

Vale quando o que você teme está na lista de cobertura, e não vale quando o que você teme está na lista de exclusões. Num carro turbo moderno, essa frase costuma decidir contra o plano, porque turbocompressor e kit de embreagem — dois dos reparos mais caros desse tipo de carro — ficam de fora.

Este guia descreve o plano que a Motors Store oferece, administrado pela Gestauto, com o manual dele na mão. O que está aqui você pode conferir linha por linha antes de assinar, e é para isso que a peça existe.

O que o plano é, e o que ele não é

É um serviço de certificação com garantia, contratado à parte, administrado por uma empresa especializada, em acréscimo à garantia prevista em lei e à garantia da loja. É vendido em três prazos — 6, 12 e 24 meses —, e as regras são as mesmas nos três: o manual é um só.

Não é seguro. A diferença não é palavra: seguro é produto regulado, vendido por seguradora, com apólice em nome de quem compra. O plano é garantia contratual — quem responde é a administradora, pelo que está escrito no termo. Se alguém lhe vender "seguro com registro na SUSEP", peça para ver em nome de quem está a apólice; no manual deste plano, o registro que aparece é de um seguro que cobre a própria administradora, e não uma apólice do comprador.

Contratar é opcional, e essa palavra também não é enfeite: o plano não muda o preço do carro, não é condição para financiamento e não é condição para a entrega. O preço dele vem destacado na proposta, e recusar não muda a negociação.

O que ele cobre

Componentes internos do motor: cabeçote e junta, virabrequim, pistões, bielas, anéis, bronzinas, comando, válvulas e guias, tuchos, bomba de óleo, e a retífica do bloco quando o reparo pede.

Componentes internos do câmbio, pelo tipo do câmbio do carro. Em automático, conversor, planetárias, corpo de válvulas, eixos e bomba. Em CVT, polias e conversor. Em automatizado de dupla embreagem, bomba e acumulador de pressão. Em robotizado, o robô, a bomba e o acumulador. Em manual, engrenagens, eixos, garfos, rolamentos e sincronizadores.

O sistema de arrefecimento, e a mão de obra conforme o acordo com as oficinas credenciadas.

O plano vale em todo o território nacional, o que importa para quem viaja: o carro quebrado longe de casa é atendido pela rede da administradora, não pela loja onde você comprou.

O que ele não cobre, e é isto que muda a decisão

Turbocompressor. Num carro de motor turbo de baixa cilindrada, esse é o componente que mais assusta e ele está fora — o que checar antes de comprar está em "Motor turbo de baixa cilindrada usado: o que checar". O turbo original de fábrica fica coberto pela garantia da loja, por três meses ou 5.000 quilômetros, o que vier primeiro; depois disso, com ou sem plano, é por conta do dono.

Vazamento de óleo e aumento gradual do consumo de óleo. Vale reparar: são justamente os sintomas que antecedem o problema caro, e o plano responde pela falha, não pelo desgaste que a anuncia.

Kit de embreagem. Em carro de dupla embreagem, esse é o reparo típico e o mais caro do conjunto, e a exclusão vale para o plano e para a garantia da loja — os sinais estão em "Câmbio de dupla embreagem em carro usado: o que checar".

Injetores, sensores, velas, bobinas, correias e tensores, coletores e catalisador. Elétrica em geral, módulos, motor de partida, alternador, ar-condicionado, freios, direção, diferencial, semieixos e homocinética. Consumíveis, como óleo, fluido, filtro, bateria, lâmpadas, plásticos e borrachas.

E três situações que costumam gerar discussão: diagnóstico que não encontra defeito, limpeza e regulagem, e reprogramação de módulo.

Fora também estão os usos que mudam o regime do carro: autoescola, locação, transporte público, competição e uso fora de estrada.

A lista completa está no manual, e o consultor mostra antes de você decidir. Ler a lista de exclusões leva cinco minutos e é a parte mais útil de qualquer plano.

As duas obrigações que reprovam acionamento

A primeira é a manutenção. Troca de óleo e filtro a cada 7.000 quilômetros ou 6 meses, o que vier primeiro, com nota fiscal contendo a quilometragem e a placa. Sem essas notas, o plano não responde — e essa é a causa número um de recusa em plano de garantia estendida no país inteiro. Não é pegadinha: é a condição que mantém o motor dentro do que o plano se comprometeu a cobrir. Guarde as notas num lugar só, desde a primeira.

A segunda é o caminho do acionamento, e ele tem prazo. Ao aparecer o defeito, pare o veículo. Acione a administradora em até três dias úteis, envie os documentos em até 72 horas e leve o carro à oficina que ela indicar. Nenhum reparo pode começar antes da autorização dela — serviço feito por conta própria não é reembolsado, mesmo que o defeito estivesse coberto.

Existe ainda um teto de reparo, escrito no termo de ativação, que vai sendo consumido a cada acionamento; quando ele acaba, o plano acaba. Pergunte qual é o seu teto e peça para ver onde ele está escrito, porque é o número que mais gera discussão depois.

Quando vale, e quando não vale

Vale quando o carro é de motor e câmbio caros de abrir, o uso é intenso, e a sua tolerância a um susto de conta fechada é baixa. Vale também quando o plano cobre exatamente o conjunto que a tecnologia daquele carro costuma cobrar — automático convencional e CVT, por exemplo, estão bem cobertos.

Não vale quando o que preocupa está na lista de exclusões. Se a sua dúvida é o turbo de um 1.0, o kit de embreagem de um dupla embreagem ou o consumo de óleo que já começou, o plano não é a resposta: a resposta é checar antes de comprar, orçar o reparo e usar isso na negociação.

E não vale se você não tiver disciplina com a manutenção documentada. Plano com revisão fora do intervalo é dinheiro gasto numa cobertura que não vai responder no dia em que você precisar.

Um detalhe prático que quase ninguém pergunta: o plano é transferível a quem comprar o carro depois, mediante taxa, e a transferência precisa acontecer dentro do prazo previsto no manual. Isso vira argumento de venda na hora de passar o carro adiante.

O que perguntar antes de assinar

Peça o manual e leia a lista de exclusões antes da de coberturas — é onde estão as surpresas. Confirme se o carro é elegível: o plano exige veículo abaixo de 180 mil quilômetros e com menos de oito anos de ano-modelo na data do checklist. Pergunte qual é o teto de reparo do seu prazo e onde ele está escrito. Confirme o intervalo de manutenção obrigatória e o que precisa constar na nota. E pergunte quanto custa, separado do preço do carro, para comparar com o que você gastaria consertando o que ele cobre.

Depois compare com a garantia que já vem incluída. O que a loja cobre sem custo nenhum, por três meses ou 5.000 quilômetros, o que vier primeiro, está em "Garantia de carro usado em loja: o que está coberto" — e boa parte da decisão é saber o que o plano acrescenta ao que você já tem.

O que fazer agora

Descubra o que costuma quebrar no modelo que você está comprando. Confira se esse item está na cobertura ou na exclusão do plano. Peça o teto de reparo por escrito. Some o preço do plano e compare com o orçamento do reparo que você teme. E, se decidir contratar, organize as notas de revisão desde a primeira — é o que separa um plano que responde de um plano que recusa.

O que a Motors Store cobre por conta própria, sem custo, e como acionar está na página de garantia.

Perguntas frequentes

Garantia estendida de carro usado vale a pena?
Depende de duas coisas: se o componente que você teme está coberto e se você mantém a manutenção documentada. Em carro de motor turbo pequeno ou câmbio de dupla embreagem, os dois reparos mais caros — turbocompressor e kit de embreagem — ficam de fora, e aí o dinheiro rende mais numa checagem antes da compra. Em automático convencional ou CVT, a cobertura é mais aderente ao que costuma falhar.
A garantia estendida cobre o turbo?
Não. O turbocompressor está na lista de exclusões do plano, e vazamento de óleo e aumento gradual de consumo também. Quem compra motor turbo de baixa cilindrada precisa saber disso antes de assinar, porque é exatamente o conjunto que a tecnologia mais cobra. O turbo original de fábrica fica coberto pela garantia da loja, por três meses ou 5.000 quilômetros, o que vier primeiro; depois disso, é por conta do dono.
Garantia estendida é seguro?
Não. É um serviço de certificação com garantia, contratado à parte e administrado por uma empresa especializada, em acréscimo à garantia legal e à da loja. Seguro é produto regulado, com apólice em nome do comprador. Se alguém disser que é seguro registrado na SUSEP, peça para ver em nome de quem está a apólice.
O que faz o plano deixar de valer?
Duas coisas, principalmente. Revisão fora do intervalo obrigatório ou sem nota fiscal com quilometragem e placa. E reparo iniciado sem autorização prévia da administradora — por isso, ao aparecer o defeito, o primeiro passo é parar o carro e acionar, não levar à oficina de confiança.